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Água mais quente para mergulhos não é boa notícia para a alimentação

Água mais quente para mergulhos não é boa notícia para a alimentação

O deslocamento de espécies marinhas para norte, em direção a águas mais frias está a ser observado nos mares europeus. Estas alterações podem afetar a variedade de peixes e crustáceos disponíveis para consumo humano e aquicultura. Isto porque as águas que cercam a Europa estão a aquecer mais rapidamente do que o clima no seu conjunto.

Cristina Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Reuters (arquivo)

Os impactos para a natureza, os sistemas alimentares e as comunidades costeiras alimentam novo alerta. O alerta surge numa investigação científica que avaliou o efeito dos combustíveis fósseis no aquecimento marinho.
Os investigadores da World Weather Attribution (grupo de cientistas que faz a análise rápida dos efeitos de fenómenos extremos climáticos) compararam as temperaturas observadas na superfície do mar com simulações de modelos climáticos para avaliar o papel do aquecimento global.

O estudo revela que a poluição dos combustíveis fósseis impulsionou uma “expansão maciça” das ondas de calor marinhas na Europa. Este verão algumas águas europeias registaram temperaturas 6 °C acima do normal. 
A “expansão maciça” das ondas de calor marinhas afetou, até agora, 90 por cento do Golfo da Biscaia e da região costeira da Península Ibérica, bem como 80 por cento do Mediterrâneo ocidental.

Claire Bergin, da Universidade de Maynooth, na Irlanda, e coautora do relatório, sublinha que “embora águas mais quentes para nadar possam parecer apelativas para os banhistas em países mais frios como o meu, os impactos na vida marinha sob a superfície são mais graves.”

A análise revelou que, ao eliminar o efeito das alterações climáticas, a área prevista para as ondas de calor marinhas diminuiria de 70 por cento para nove por cento no Mediterrâneo oriental e de 80 por cento para 30 por cento na região celta.

Embora as águas quentes recebam pouca atenção, também provocam um aumento perigoso das temperaturas durante a noite nas regiões costeiras, uma vez que os oceanos arrefecem mais lentamente do que a terra. A alteração climática foi responsável por cerca de dois terços do excesso de calor observado. 
Os investigadores afirmam que ficaram mais quentes em cerca de 2 °C as águas no Mediterrâneo, 1,4 °C no Golfo da Biscaia e na Península Ibérica, e 1,3 °C em torno da Irlanda e do Canal da Mancha.

Em grande parte das águas em torno das Ilhas Britânicas, o calor atingiu níveis que costumavam ocorrer uma vez durante um século.

Esta análise rápida surge num momento em que a Europa se recupera de um dos verões mais quentes de que há registo.
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